segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Telento vezes cinco


Cinco vozes, cinco artistas, cinco talentos e uma única vontade: levar a produção maranhense para o mundo. Mas antes é hora de homenagear os 400 anos de São Luís no dia 1º de setembro, na Lagoa, com um show que vai entrar para a história. Chiquinho França, Carlinhos Veloz, Mano Borges, Betto Pereira e Erasmo Dibell dividem o mesmo palco e cantam músicas que marcaram suas carreiras e o mercado musical de São Luís. É o Projeto A5 que depois de se apresentar em São Luís vai para o Rio de Janeiro onde devem ser confirmadas três apresentações já a partir do mês de setembro.
O lançamento do CD e do projeto em São Luís será no show do dia 1º de setembro e faz parte da programação do Governo do Estado, que depois terá apresentação do cantor e compositor baiano Gilberto Gil. O repertório do show é formado pelas 20 músicas do CD, compostas pelos cinco artistas e ainda de músicas de autores como Gerude, César Nascimento e outros artistas que prestaram homenagens a São Luís. No show, Chiquinho França, como é de praxe, fará sua apresentação instrumental.
Já o CD é uma coletânea e traz gravações originais de canções como Imperador Tocantins (Carlinhos Veloz), Sarará (Erasmo Dibell), Terecô (Beto Pereira), Dindinha (Chiquinho França) e Você é Tudo (Mano Borges).
A reportagem de O Imparcial recebeu Chiquinho França e Betto Pereira para um bate-papo sobre o trabalho, o projeto, as novas produções e a música maranhense.


 Que ideia foi essa de reunir cinco grandes artistas em show só?
Betto Pereira – A ideia foi do Chiquinho, que foi ao Rio de Janeiro  e viu que a nossa música tem espaço, mas que não está sendo ocupado.
Chiquinho França – Nosso trabalho aí pra fora é muito comentado e eu vi no Rio de Janeiro um espaço que a gente precisa ocupar. Pensamos em fazer essa coletividade para que portas sejam abertas e já estão começando a se abrir. Nós conseguimos entrar na programação do aniversário da cidade, coisa que talvez um ou outro conseguisse, de forma individual. Ou seja, corria-se o risco de ficar de fora dessa festa e deixar de prestar essa homenagem a São Luís.

E vocês vão cantar na mesma noite que Gilberto Gil...
Betto Pereira – Sim, o Gil é uma das minhas referências, ao lado de Paulinho da Viola e nós conseguimos uma relação interessante. Ele participou do meu show no Circo Voador, há 15 anos, a convite da Alcione e gostou muito do meu trabalho. As duas vezes que ele esteve fazendo show em São Luís ele  procurou por mim.

Vocês comentavam que muita gente não entendia o A5?
Chiquinho França - Sim. E o A5 é um projeto com cinco artistas cantando e executando música maranhense. Embora cada um vá cantar sua música, mas o show tem muita dinâmica, muita interatividade. O palco nunca vai ficar sem ninguém. Além disso, cantamos músicas de outros artistas. O show na Lagoa será o lançamento do CD.

Como é que vai ser ocupar o espaço da música maranhense no Rio de Janeiro?
Chiquinho França - Nós temos já confirmados três shows no Rio de Janeiro, estamos dependendo apenas de um apoio do governo estadual para seguir com o espetáculo no Rio. Está previsto fazermos  o lançamento do CD coletânea, coletar imagens para o DVD e gravar o CD. Já temos contatos com produtores, gravadoras, formadores de opinião.
Betto Pereira – Queremos mostrar a homenagem que a gente tá fazendo aos 400 anos lá no Rio de Janeiro, dividindo com o público. Chegar no Rio de Janeiro com a nossa música.

Vocês são artistas que estão na música há muito tempo. Como é que vocês veem essa produção local atual?
Betto Pereira – Eu não gosto de rótulos, de dizer que faço música popular maranhense, ou da terra, minha música é universal. É muito difícil hoje em dia o artista estar em evidência. Na época em que nós começamos tivemos a sorte da produção maranhense estar num crescente, mas tem muita gente boa aí, talentosa, que falta acreditar no seu potencial, deixar de modismos, cópias e covers e apostar na sua produção. Eu tenho 30 anos de música e ainda estou trabalhando porque acredito na minha música.
Chiquinho França – A nossa música é um produto. O estado e o município é que não veem isso. Temos artistas talentosos, música boa, o turismo está aqui e as vezes a coisa não acontece. É de suma importância que essa rapaziada toda dê continuidade ao trabalho da gente, porque na festa de 500 anos não estaremos aqui (risos). Então, assim como essas músicas estão sendo tocadas agora, é importante que daqui a 100 anos tenham outras homenagens assim também. Eu tenho pena deles que botam o pé na estrada sem apoio nenhum. E o trabalho do A5 prevê isso também, abrir portas para eles em outros estados, começando pelo Rio de Janeiro.

  Vocês hão de convir que às vezes o artista precisa começar de alguma forma...
Chiquinho França – Sim, mas eles precisam ser sustentados pelo público deles, criarem formas de promoção, sem ter que ficar passando com o pires na mão. E o poder público por outro lado, precisar dar o anzol e não o peixe. Eu mesmo todos os anos faço um tributo a Pink Floyd porque eu preciso fazer nome. E no meu caso que é música instrumental as coisas se tornam ainda mais difíceis.
Betto Pereira -  Eu acho que essa turma tá vivendo muito do que é feito lá fora, com bandas de forró, de rock, pop e esquecendo um pouco a nossa regionalidade. Tem que ter um pouco mais de autoestima.  

 
Faixas do CD
Ilha Bela
Filhos da Precisão
Fissura
Bangladesh
Toque de Amor
Viagem de Novembro
Vidente
Czardas
Você é Tudo
Terecô
Imperador Tocantins
Sarará
Apego a Upaon Açu
Amagni
Mana
Beija-Flor
Beija na Boca
Dindinha
Ça Va
Ana e a Lua

Nenhum comentário:

Postar um comentário