O ator maranhense Al Danuzio (foto),
25 anos, radicado em Nova York, pode se juntar à lista de brasileiros
premiados no
Press Award USA 2014, e figurar ao lado de nomes como Ivete
Sangalo, Regina Duarte, Antônio Fagundes, Alcione, entre outros. É que
Al Danuzio foi indicado para a 17ª edição do prêmio na categoria de
ator brasileiro. O prêmio homenageia os destaques brasileiros do ano,
por meio de votação popular pelo site Press Awards. A votação começou no
último domingo (15), vai até o dia 15 de fevereiro de 2014 e conta com
26 categorias como Artes Visuais, Fotografia, Dança e Folclore, Teatro,
Cinema e Vídeo, Esportes, Cantor, entre outros.
O mais curioso, é
que há 6 anos, quando Alberto Danuzio, que adotou o nome artístico Al
Danuzio, chegou aos Estados Unidos, não conhecia nada, nem ninguém. Com
apenas um mês que estava lá, ao conhecer um produtor brasileiro por
acaso, mostrou seu material em vídeo (algumas encenações feitas em peças
teatrais em São Luís) e dois dias depois foi convidado para ser o
mestre de cerimônias do mesmo prêmio para o qual foi indicado este ano.
“De apresentador a indicado. É muito louco isso. Jamais imaginei, mas
estou muito contente com esse reconhecimento em tão pouco tempo morando
lá”, diz o ator, que está em São Luís desde outubro quando começou a
gravar o curta-metragem
Broders.
A produção do curta, aliás, pode
ter sido, na opinião de Al Danuzio, um dos motivos principais para a
indicação, já que um dos motes da premiação é valorizar a produção
brasileira no intercâmbio EUA/Brasil. “Eu acho que tenha sido isso,
porque estou há seis anos lá, e embora tenha feito muitos trabalhos,
nunca tinha sido indicado. O fato de eu ser radicado lá e trazer uma
produção para o Brasil acho que foi culminante pela questão de fazer um
filme no meu país. Isso conta muito”, acredita Al Danuzio.
Atualmente
Al Danuzio mora em Los Angeles e está fazendo faculdade de cinema. Nos
Estados Unidos morou inicialmente em Miami, onde estrelou algumas peças
que fizeram turnê por todo o país e também esteve em telenovelas
americanas. Em Nova Iorque ele começou a estudar na New York Film
Academy e atuou em mais de 25 filmes durante o ano de 2013. Com um
reconhecimento da faculdade, Al Danuzio foi uma das estrelas da PROMO
que a NYFA fez para o Brasil.
“Eu já havia atuado em peças aqui
em São Luís. Comecei no colégio Divina Pastora, depois Maristas, aí fui
para as companhias Improviso, In Cena, Mambebe. Apareceu a oportunidade
de ir morar nos Estados Unidos com a minha mãe e eu fui.
Coincidentemente depois que apresentei a premiação a que hoje sou
indicado, caí de cabeça na profissão, fiz vários trabalhos em espanhol,
atuei com brasileiro ou latino e resolvi trazer o filme para fazer em
São Luís que era um sonho que eu tinha”, conta Al Danuzio.
Para
votar em Al Danuzio até o dia 15 de fevereiro, é só acessar o site
http://www.pressaward.com/votacao/. Categoria: Atores brasileiros nos
EUA. Al Danuzio-New York, NY.
Produção com ares internacionais
Após
três anos sem vir a São Luís Danuzio retornou ao Maranhão para produzir
seu primeiro filme. Broders (15 minutos) foi idealizado no começo do
ano e foi gravado em apenas três dias (25, 26 e 27 de novembro) tendo
como locação as ruas do Centro Histórico de São Luís, o bar Canto da
Cultura (na Rua Portugal) e um sítio na Vila Nova. A produção,
totalmente independente, contou com atores maranhenses, produção e
roteiro de Al Danuzio e direção geral de André Matias (São Paulo) e
direção de fotografia de Fredrick Ekmark (Nova Iorque). O filme contou
ainda com apoio do Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (que
emprestou os equipamentos) e do LabCom da Universidade Federal do
Maranhão (onde aconteceram as reuniões).
Apesar de já ter atuado
em mais de 30 filmes, esta é a estreia de Al Danuzio como produtor de
cinema e representa um anseio de trazer para a cidade profissionais com
que trabalhou fora do Brasil. Bem como realizar produções em São Luís
com projeção nacional e internacional.
O filme conta a história
de dois amigos de infância que tomam rumos diferentes e se desencontram
ao longo da vida. Tempos depois, um virou marginal e o outro soldado. A
vida os coloca juntos de novo quando acontece um assalto em uma parada
de ônibus. Na confusão um acaba reconhecendo o outro. E aí se desenrola a
história. “É um drama que fala do conflito de oportunidades. Digo que é
um filme colaborativo. O apoio financeiro veio da família e os atores
que contracenaram abriram mão do cachê”, informa Al Danuzio.
A
equipe contou com 16 pessoas, sendo a maioria alunos do curso de Rádio e
TV da UFMA. Luan Paiva faz Caio, um ex-presidiário que, nos tempos da
escola, havia sido um dos melhores, mas ao se confrontar com uma
realidade difícil acabou tornando-se ladrão. Ele contracena com Al
Danuzio, o JJ, que viajou para os Estados Unidos tentando uma vida
melhor por lá. Após ter ganhado um bom dinheiro como soldado egresso da
guerra, retorna ao Brasil para visitar o pai doente e é roubado por Caio
em uma parada de ônibus. Quando os dois se reconhecem, tem início uma
jornada em que ambos vão perceber que tem mais em comum do que podem
imaginar.

O elenco tem ainda Luna Gandra (Alice) e Nicole
Meireles (Dandara). Ambas interpretam garçonetes. Para os acadêmicos, o
trabalho serviu de aprendizado para futuramente iniciarem seus projetos e
fazer com que o cinema maranhense cresça. Para Luna Gandra, que além de
atriz, produtora associada e assessora de comunicação do projeto, é
namorada de Al Danuzio, a experiência foi enriquecedora.
“Faço
uma garçonete que no passado teve uma relação com Caio e foi bastante
engrandecedora. Todo o elenco foi bem participativo mesmo. Não fui
somente eu que abracei este sonho. Todos foram se unindo ao seu tempo. E
hoje o Broders pra mim não foi somente um sonho, é um presente,
recheado de pessoas que sonham, mas que também realizam...”, diz a
atriz.
O curta será lançado com legendas em inglês e espanhol, já que a
pós-produção será feita nos Estados Unidos. A distribuição do filme
será direcionada para os festivais do mundo todo.
Três perguntas//Al Danuzio
Esperava essa indicação?
Não.
É uma premiação que em 2011 se expandiu para a Europa e a Ásia. Eu
estou concorrendo pela América do Norte que inclui Estados Unidos e
Canadá, como ator brasileiro nos EUA e é pelos trabalhos apresentados. A
premiação é bem abrangente feita por brasileiros para brasileiros nas
mais diversas áreas, que moram ou atuam lá e que ajudam na difusão da
cultura brasileira no âmbito internacional. Então acredito que ter
produzido o
Broders foi fundamental para a minha indicação.
Quanto ao filme, agora que terminaram as gravações qual o próximo passo?
Vai
para edição agora em São Paulo e em seguida para a pós-produção nos
EUA. Acredito que em fevereiro já teremos terminado e aí ele vai andar
com as próprias pernas. Porque um filme é um filho. Ele nasce, você cria
e ele ganha vida independente. Nosso foco vai ser participar dos
festivais, principalmente em Los Angeles onde o número deles é maior.
Em pouco tempo você se transformou em um produtor. Está realizado?
Escrever
um filme e gravá-lo em São Luís era um sonho. Um sonho que foi
compartilhado com todos os parceiros, com o elenco. Foi um trabalho
colaborativo que inicialmente era voltado para os adolescentes, mas que
com o decorrer foi ficando um filme para a família. E o nome do filme é
bem isso mesmo, irmãos, família. Uma história que fala de sonhos, de
oportunidades. ‘Quem não tem sonhos não tem nada. Mas quem só tem sonhos
também não tem’. Agora é esperar ficar pronto e vê-lo caminhar.