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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Live junina com Carla Coreira e Marquinhos da Maioba

 


A produtora cultural Carla Coreira, realiza durante todo o mês de junho uma live por semana com representantes dos grupos de Bumba meu boi de São Luís. A primeira aconteceu na semana passada com o cantador Ribinha de Maracanã, do “Batalhão de Ouro” do Bumba meu boi de Maracanã.  A próxima acontece nesta sexta-feira (18), com o cantador do Bumba meu boi da Maioba, Marquinhos da Maioba.

Carla Coreira revelou que a ideia de realizar live´s durante o período junino, surgiu por conta do adiamento pelo segundo ano consecutivo das brincadeiras juninas, em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). “Todos sabem que eu sou apaixonada por tambor de crioula, mas o meu amor se estende para todas as brincadeiras de São João como Bumba meu boi, cacuriá, lelê, quadrilhas e outras que fazem a nossa alegria. E como eu e muita gente está com saudade desta festa que é linda resolvi convidar alguns cantadores para conversarmos sobre essa paixão que nos move que é o bumba meu boi com muitas histórias e cantorias de toadas das brincadeiras”, disse a produtora cultural. 

Durante o bate-papo virtual, Carla Coreira vai conversar com Marquinhos da Maioba sobre a sua trajetória no bumba meu boi do Maranhão por onde já passou por alguns batalhões como Boi da Pindoba e agora Boi da Maioba onde é o cantador principal da brincadeira. O Boi da Maioba é um dos grupos de bumba meu boi mais conhecidos do Maranhão e grande representante riqueza cultural do Maranhão. Com o seu sotaque de matraca, o grupo acumula diversas toadas que encantam o povo e se propagam não só no período junino. O batalhão pesado do Boi da Maioba surgiu em 1897 pelos moradores do povoado Bom Negócio, situado na localidade Maioba, zona rural da ilha de São Luís.

SOBRE CARLA COREIRA

Carla Coreira, é Filha de Mestra Roxa Belfort e Coreira de Mestre Felipe de Sibá, nascida e criada em meio às manifestações da Cultura Popular do Maranhão, Carla tem levado o Tambor de Crioula para diversas cidades do país. Com ela traz todos os fundamentos, história, toques, toadas do Tambor de Crioula do Maranhão e as outras manifestações deste estado tão reveladores da riqueza e diversidade cultural do nosso país, virou referência no assunto e muito requisitada para workshops, palestras e eventos que abordam a Cultura Maranhense.

Foi ela quem criou e mantém a Capelinha de São Benedito, na Praça da Faustina, no Centro Histórico. O local tornou-se uma referência como ponto de cultura onde ocorrem rodas de Tambor, oficinas, homenagens aos Mestres e Mestras e apresentações com participação dos grupos locais, organizadas pela produtora cultural que é reconhecida nacionalmente pelo seu trabalho voltado para a preservação da cultura popular maranhense.

Serviço

O que? Live junina com Carla Coreira

Quando? Sexta-feira (18), às 20h

Onde? https://www.instagram.com/coreiracarla/

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Produtora cultural denuncia racismo


Era apenas um bate papo, mas terminou em um boletim de ocorrência registrado no Plantão Central da Cajazeiras. A coreira e produtora cultural Carla Belfort, conhecida no meio cultural como Carla Coreira, estava conversando com uns amigos na calçada em frente a um restaurante quando foram abordados por um garçom que perguntou aos amigos dela, se estavam sendo incomodados. Quem conta melhor essa história que aconteceu na última sexta-feira, 14, é a própria Carla.
“Eu fui convidada por uma amiga para fazer caminhada, depois estava tendo uma programação na Praça Nauro Machado e nós ficamos lá um pouco. Essa minha amiga branca queria ir ao banheiro e entrou no Flor de Vinagreira (restaurante que fica no Centro Histórico também) normalmente. Eu fiquei esperando na calçada, quando vi uns amigos que estavam em uma mesa. A gente começou a conversar sobre as oficinas de tambor de crioula que eu dou, quando chega um garçom e pergunta a eles, que eram brancos, se eu estava incomodando”, contou.
Na hora, ela disse que ficou tão constrangida que não esboçou reação. Apenas virou as costas e foi embora. “Eu estava ali, e passando aquela vergonha apenas por ser negra. Todos me olhando, me constrangendo. Fui embora, me perguntando o porquê. Depois caiu a ficha e eu resolvi que ia denunciar, não ia e nem vou me calar”, disse.
No dia seguinte (15) ela registrou um boletim de ocorrência no Plantão Central da Cazeiras, segundo consta no documento a denúncia foi enquadrada no artigo 140, parágrafo 3º do CPB: “injúria com conotação racista, cor, etnia, religião, origem, idoso ou portador de deficiência”.
“Vou atrás dos meus direitos. A gente não pode se calar. Não é a primeira vez que isso acontece lá naquele restaurante. Botei a boca no trombone, nas publicações nas redes sociais tem vários comentários de pessoas apoiando ou dizendo que passaram pela mesma situação”, lamentou Carla Belfort.   
Entramos em contato com o restaurante citado, pelos telefones que constam em seus perfis nas redes sociais, mas o telefone não foi atendido.
Em uma publicação no canal de vídeos YouTube, o proprietário e administrador do restaurante. Francisco Neto, diz que: “nosso restaurante não pratica racismo, nem injúria racial, e que suas atividades são baseadas em padrões morais e éticos cada vez mais elevados, respeitando a todos e todas. Em nossa empresa possuímos profissionais capacitados, gerentes e maitres, e em nenhum momento recebemos qualquer reclamação dessa natureza”.  O empresário diz ainda que acionou os seus advogados que analisarão a forma de defender a empresa.
Na postagem que Carla Coreira publicou nas redes sociais, ela se refere a uma estátua de uma negra que fica na frente do restaurante. “Usa imagem de mulher negra para decorar o local e pratica racismo. E mais, usam o espaço público, que é uma calçada, como espaço privado”. Sobre a imagem, Francisco Neto falou que “a obra de arte é mais uma das muitas que compõe o acervo do restaurante”.

Repercussão
A postagem e a denúncia de Carla Coreira alcançou uma grande repercussão nas redes sociais. A jornalista Lissandra Leite comentou na postagem: “Em dezembro, uma amiga estava neste restaurante com o companheiro e a irmã, aguardando um amigo chegar. Os três, brancos. O amigo aguardado, negro. Quando o amigo negro chegou e foi até a mesa, um funcionário da casa agiu exatamente da mesma forma: foi até a mesa e perguntou aos três: ‘Ele está com vocês? ’. O funcionário virou o rosto para ele, o ignorou e fez a pergunta ‘pros’ três brancos da mesa! Ele já estava sentado, conversando. Um desrespeito sem tamanho, assim como fizeram com a Carla”, diz um trecho da postagem.
Outros comentários relembraram o episódio. “Não é a primeira vez. Até quando tratar com racismo”, dizia um.
Na época, em dezembro do ano passado, repercutiu muito nas redes sociais a acusação do jovem identificado como Guilherme de que teria sofrido racismo por parte de um segurança do restaurante Flor de Vinagreira, quando o rapaz ia adentrar o estabelecimento. O jovem atribuiu o caso por causa da cor de sua pele e por estar de chinelo e moletom enquanto outros clientes brancos também “desarrumados” não haviam sido barrados.
Na época o restaurante publicou uma nota que dizia, entre outras palavras que não discrimina “com base em percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos”.