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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Três poetas e um destino


O Coletivo Papoético realiza hoje (27), no bar Taberna da Bossa, na Praia Grande, mais um evento cultural. Desta vez a atividade se denomina “Três poetas e um Destino”, uma homenagem a três grandes poetas do Maranhão recentemente falecidos: José Chagas, Nauro Machado e Ferreira Gullar (foto acima). 
“A cultura maranhense perdeu, num espaço de tempo de apenas anos, três grandes expoentes de uma geração que nos legou, ainda, Bandeira Tribuzi, precocemente falecido. Tais poetas tiveram um mesmo destino, a poesia, e esta ação cultural, que pretende reunir poetas, escritores e a comunidade em geral, é uma justa homenagem a esses grandes representantes da arte da palavra e que deixaram uma obra de grande envergadura intelectual”, diz o poeta Paulo Melo Sousa, articulador do Papoético.




SERVIÇO
 O quê? Ação cultural do Projeto Papoético: “Três poetas e um Destino” - Homenagem aos poetas José Chagas, Nauro Machado e Ferreira Gullar
Quando? Hoje, às 19h
Onde? Bar Taberna da Bossa - Rua Portugal (antiga Trapiche), Praia Grande (Centro Histórico de São Luís)
Como? Bate-papo sobre poesia, sarau poético (leitura e interpretação de poemas), exibição de filmes sobre os poetas e audição de discos com poemas dos autores.
Apresentação musical do Grupo Camerata Chorística.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Vá em paz, poeta andarilho



    Foto: O Imparcial

A Aceitação
Aceito a paz já corroída
Pelo que fiz com minha dor,
Aceito o lume inverso ao dia
Que se findou na minha noite.
E a escura estrela além luzindo
Para me abrir um sol depois.
Grades
Exceto o Ser
Pelo meu fim
Nesta cadeia,
Vou saber de tudo
Que em mim se fez
Prisão do nada.

Um andarilho. Era assim que o poeta Nauro Machado se considerava, ao relatar que gostava de andar por vários quilômetros, pelas ruas da cidade. Antigo frequentador de bares e um homem das letras, o poeta faleceu na madrugada deste sábado (28), devido a complicações no intestino. Nauro tinha 80 anos e estava internado desde a última terça feira, na unidade de tratamento intensivo do hospital UDI. Segundo a família, Nauro Machado deu entrada no hospital para realizar um procedimento de colonoscopia, mas passou mal durante o exame e foi levado para a UTI na qual permaneceu até a data do  óbito. O velório aconteceu na Academia Maranhense de Letras e o enterro será hoje, domingo, às 10h, no Cemitério do Gavião (Madre Deus).
O poema A Aceitação dizia com realismo como o poeta estava se sentindo. Após se recuperar de um câncer de esôfago, ele escreveu em 2012, o livro Esôfago Terminal em que relatava o que tinha passado no período  que ficou em tratamento.  
Hábil nas palavras, na escrita, de pensamento rápido, inteligente e brincalhão, algumas vezes até com os assuntos mais indigestos, ele se considerava um amante da vida. À época do lançamento de Esôfago, dizia, “amo a vida agora mais do que nunca”.
 Outra obra lançada quase ao mesmo tempo,  Província – O pó dos Pósteros (2012), retratou os mais de 60 anos de escrita do poeta em ensaios, crônicas, discursos, entrevistas publicadas em vários jornais do estado durante as seis décadas que escreveu para a imprensa. “Especialmente os textos para o jornal O Imparcial, onde escrevi por algum tempo todas as terças-feiras sobre os mais variados assuntos”, lembra o poeta.
O livro, ele ainda reforçou na época, veio como uma realização pessoal após a doença e para homenagear  São Luís, mas fala também da relação de amor e ódio do poeta com a cidade que tanto o inspira. “Essa é  a minha homenagem já que ela não está sendo honrada como deveria. Minha relação com São Luís é dolorosa, eu diria sadomasoquista. Uma cidade a quem amo e odeio ao mesmo tempo. “A raia miúda de São Luís me compreende. Eu sou andarilho de São Luís. Todo o povão me saúda, me respeita. Pessoas com quem eu convivi, bebi durante muito tempo. Ao passo que alguns dos intelectuais tem por mim uma relação dúbia”, criticou. Imortal? Nunca quis ser. Recusou todos os convites que lhe foram feitos. Mas deixou imortalizadas as palavras por vezes complexas, mas que diziam muito de si." Ser poeta é duro e dura e consome toda uma existência” (O Parto).

A vida literária
Nauro Machado publicou 37 e deixou alguns inéditos. O poeta já conquistou vários  prêmios, destacando-se o de Poesia da Cidade de São Luís, várias vezes conquistado por ele; o da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1982; o da Academia Brasileira de Letras, em 1999, e o da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 2000. Era  casado com a também escritora Arlete Nogueira da Cruz.
Citado em enciclopédias e em dicionários nacionais e internacionais, tem alguns de seus poemas traduzidos para vários idiomas, em alemão, inglês, francês e catalão, consequentemente publicados em antologias e revistas internacionais. O poeta está incluído em inúmeras antologias do Maranhão e do Brasil.
Nauro Diniz Machado nasceu  em São Luís do Maranhão, no dia 2 de agosto de 1935. Destacou-se na poesia como um dos poetas brasileiros mais importantes de todos os tempos. Comparado por alguns críticos a Fernando Pessoa, (poeta e escritor português, falecido em 30 de novembro 1935) ano do nascimento do poeta maranhense.
Conhecido, traduzido e citado por intelectuais como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto,  Cassiano Ricardo, Alfredo Bosi, Luciana Stegnano Picchio, Fábio Lucas, Ferreira Gullar, entre muitos outros. Em seu amplo acervo estão livros de história literária e antologias internacionais, enciclopédias e dicionários.
O escritor tinha 37 livros publicados, era  autodidata e  sua obra foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Deixou para o mundo  uma obra realmente singular, distinta de qualquer poeta contemporâneo, mesmo de sua geração, por apresentar traços de reflexão existencial angustiada e violenta que encontra poucas comparações na lírica de língua portuguesa.

Trilogia
A obra  O exercício do Caos (1961) baseou o primeiro longa de uma trilogia chamada Trindade Dantesca. Composta ainda  por As órbitas da água (1978) e O signo das tetas (1984). A adaptação para o cinema foi do filho de Nauro, Frederico Machado, um aficionado pelas obras do pai. À época, perguntado sobre o seu livro ter ido para as telas, Nauro se limitou a responder: “vai popularizar o livro”. O Exercício do Caos foi lançado em 2013 e  exibido em todo o Brasil e vários festivais O Signo das Tetas  é sucesso de crítica e trata de um road movie experimental sobre um homem em busca de seu passado. Em breve estará no circuito brasileiro.


 Obras
Campo sem base (1958)
O exercício do Caos (1961)
Do frustrado órfico (1963)
Segunda comunhão (1964)
Ouro noturno (1965)
Zoologia da alma (1966)
Necessidade do divino (1967)
Noite ambulatória (1969)
Do eterno indeferido (1971)
Décimo divisor comum (1972)
Testamento provincial (1973)
A vigésima jaula (1974)
Os parreirais de Deus (1975)
Os órgãos apocalípticos (1976)
A antibiótica nomenclatura do inferno (1977)
As órbitas da água (1978)
Masmorra didática (1979)
Antologia poética (1980)
O calcanhar do humano (1981)
O cavalo de Tróia (1982)
O signo das tetas (1984)
Apicerum da clausura (1985)
Opus da agonia (1986)
O anafilático desespero da esperança (1987)
A rosa blindada (1989)
Mar abstêmio (1991)
Lamparina da aurora (1992)
Funil do ser (1995)
A travessia do Ródano (1997)
Antologia poética (1998)
Túnica de Ecos (1999)
Jardim de infância (2000)
Nau de Urano (2002)
A rocha e a rosca (2003)
Província – O pó dos Pósteros (2012)
Esôfago Terminal (2014)


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Exercício do Caos em circuito nacional



*Patricia Cunha




O trailler já chama atenção pela seleção de fortes imagens. O que se segue  é um filme denso, cheio de tensão, suspense, mistério, drama familiar e uma narração que mostra personagens lidando com o  real, a razão, a loucura. O Exercício do Caos (2012), filme longa metragem dirigido e produzido pelo cineasta maranhense Frederico Machado, com distribuição da Lume Filmes, começa a ser exibido hoje, 8, em salas do UCI Kinoplex Shopping da Ilha, Cine Lume e Cine Praia Grande, além de estar em cartaz também nas salas de cinema de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador.  É o primeiro longa maranhense a entrar no circuito comercial nacional.
O Exercício do Caos tem no elenco Auro Juriciê  (pai),  Elza Gonçalves (mãe), Di Ramalho (capataz), Thalyta Sousa, Thainá Sousa e Isabela Sousa (filhas). O filme narra em tons de suspense existencialista a história de um pai soturno e autoritário que vive com as três filhas adolescentes em uma fazenda de mandioca no interior do Maranhão.  As meninas sofrem com a ausência da mãe, supostamente desaparecida, e ao mesmo tempo precisam lidar com a exploração de um capataz, que se aproveita da sua inocência e fragilidade. Enquanto o eixo familiar desmorona pouco a pouco, os personagens, fragilizados, situam-se no limiar entre a razão e a loucura, entre o caos e a fé.
O filme é o primeiro longa de Frederico Machado. Cinéfilo, crítico de cinema, fotografo, roteirista, produtor e diretor, distribuidor, curador de festival, criou em 2000 a produtora Lume Filmes, uma das mais importantes produtoras de cinema autoral do Brasil. Como cineasta, ganhou mais de 100 prêmios internacionais com seus filmes e participou de Festivais como Huesca, Cartagena, Dresden, San Diego, São Paulo, Durban, Valência entre outros. Diretor de curtas-metragens como Vela ao Crucificado (2009), Infernos (2006) e Litania da Velha (1997). Criou o Festival Internacional Lume de Cinema. É proprietário de salas de cinema no Brasil. Membro da Conselho Nacional da Ancine (Agência Nacional de Cinema do Brasil).
“Esse filme é de uma importância imensa e eu estou muito feliz que ele esteja no circuito nacional. Em breve ele também estará em mais 12 cidades. Já participou de várias festivais e amanhã ele também será exibido na Grécia, no Thessaloniki Internacional Film Festival”, informa Frederico Machado.
O longa é o primeiro de uma trilogia que terá ainda  O Signo das Tetas e As Órbitas das Águas, cujo títulos são baseados nas obras do poeta e pai do cineasta, Nauro Machado.  Signo das Tetas deverá ser finalizado em março do ano que vem.

Sete perguntas//Frederico Machado

Frederico, de que trata o Exercício do Caos?
Fala de uma família que vive no interior do Maranhão. A mãe desaparece, e é um mistério na verdade, porque ninguém sabe o que aconteceu com ela. O pai vive com as três filhas e eles tem que lidar com a presença de um capataz. É um filme de suspense e mistério que envolve os personagens, conflito psicológico.

Em que você se baseou para criar a história?
Na ópera Anjo de Fogo do compositor russo Prokofiev (Sergei Sergeievich), em que ele fala de um anjo. De início as pessoas acham que ele veio do inferno, mas na verdade ele é do bem. Então isso inspirou a história do filme que tem um final que vai surpreender as pessoas.

Como é que foi gravar esse longa?
Esse filme começou a ser produzido em 2011, levou 1 ano e meio para ser finalizado e foi lançado em julho deste ano no Festival Olhar Internacional de Cinema de Curitiba. Nós levamos 12 dias para gravá-lo na zona rural de São Luís, no bairro Matinha. Foi um filme todo feito com recursos independentes, baixo custo, apenas 120 mil reais, com elenco e equipe reduzida. Mas ele já está se pagando, graças à boa aceitação que ele tem tido e às críticas positivas que tem sido feitas de todo o mundo.

Sobre o elenco,  é todo maranhense?
Sim. São atores de teatro, mas do cinema amador. O elenco adulto já havia trabalhado comigo no meu último curta Vela ao Crucificado, que foi premiado. Já as meninas, são irmãs de verdade, bailarinas, fizeram o teste e nós gostamos.

Agora ele está sendo distribuído no circuito nacional. Como você se sente?
Muito feliz. As críticas estão bem positivas. Logo ele estará em exibição em mais salas e foi adquirido para ser exibido na televisão em março do ano que vem pelo Canal Brasil. Fora isso está em vários festivais e está sendo visto como o melhor lançamento do ano. Para uma produção pequena, humilde, independente, acho que não poderia estar melhor.

Falando em filme independente, ser cineasta no Maranhão é um desafio?
Não só no Maranhão, mas em todo o Brasil. No Maranhão, mais especificamente é porque não há editais para cinema, mas acredito que com o crescimento desse movimento as políticas para cinema no estado vão precisar se adequar. No Maranhão há um crescente e pode-se observar um “boom” há 2 anos. Nós temos ai o Arturo Saboia, o Marcos Pontes com grandes produções, outras pessoas que estão produzindo várias coisas, então acho que esse mercado tende a melhorar com o que se tem feito de cinema no estado. 

Sabe-se que você é incansável nas produções. Já está produzindo algo novo?
Vem aí a terceira edição do Festival Internacional Lume de Cinema, de 26 de novembro a 1º de dezembro. O Festival foi considerado o segundo maior do Brasil no ano passado. Fora isso gravamos outro longa, O Signo das Tetas,  em parceria com Cuba que deve ser finalizado em março de 2014 e lançado no segundo semestre daquele ano. Na verdade O Exercício do Caos é o primeiro de uma trilogia, seguido de O Signo das Tetas e finalizando com As Órbitas das Águas. Todos os nomes dos filmes foram baseados nas obras de Nauro Machado, meu pai. Todos os filmes tem as obras dele como símbolo e todos também tem poesia dele.

Elementos

Box
Quem é quem?
Auro Juriciê – Pai que cuida da fazenda e cria as três filhas. Vive em conflito.
Elza Gonçalves – Mãe desaparecida
Di Ramalho – Capataz cujas atitudes são envoltas em mistério
Thalyta Sousa – Filha mais velha, tem uma relação estranha com o pai
Thainá Sousa – Filha do meio exala sensualidade em meio à descoberta da sensualidade
Isabela Sousa – Filha mais nova que retrata a inocência do filme

Ficha Técnica
Direção, Produção, Roteiro, Direção de Fotografia: Frederico Machado
Elenco: Auro Juriciê, Elza Gonçalves, Di Ramalho, Thalyta Sousa, Thainá Sousa e Isabela Sousa
Trilha Sonora: Joaquim Santos
Distribuidor: Lume Filmes
Drama - 18 anos - 72 min.


*publicada em 07.11.13, no Jornal O Imparcial

terça-feira, 14 de maio de 2013

Começam preparativos para a 7ª edição da Feira do Livro de São Luís



A coordenação executiva da 7ª edição da Feira do Livro de São Luís (FELIS), capitaneada pela Fundação de Cultura (Func), já está promovendo as reuniões para a organização do maior evento literário da cidade, que acontecerá no período de 29 de setembro a 6 de outubro.

Este ano, a Feira deverá acontecer na Praia Grande, Centro Histórico da cidade. No local, livreiros, editores, distribuidores, palestrantes, estudantes, escritores, intelectuais e toda a população, são convidados a participar desse encontro com o livro e a leitura. “O nosso compromisso, com este evento, é fomentar as cadeias criativas e produtivas do livro e contribuir para o acesso à leitura”, afirma Rita Oliveira, membro da coordenação geral do evento, juntamente com José Maria Paixão Filho e Paulo Melo Sousa.

Nesta edição, a Feira do Livro terá como Patrono o escritor e poeta Nauro Machado. Autodidata, com vasto conhecimento em artes e filosofia, Nauro completa este ano 78 anos de idade, sendo grande parte destes dedicado à paixão pela poesia. Recebeu diversos prêmios, dentre eles, da Academia Brasileira de Letras e da União Brasileira de Escritores; teve várias de suas obras traduzidas para o alemão, francês e inglês.

Além do poeta Nauro Machado, Aluísio de Azevedo (100 anos) e Catulo da Paixão Cearense (150 anos) também serão homenageados na Feira, que este ano terá como curador o poeta e jornalista Celso Borges. Baseados no tripé “Livro, leitura e tecnologia”, a Feira terá o tema “Livro e leitura: do impresso ao virtual sem perder a poesia”.

Durante dez dias, milhares de pessoas, maranhenses e visitantes de todas as idades, terão um evento que reflete e estimula diálogos possíveis sobre o livro e a leitura na cidade e para além dela. A programação está sendo elaborada com base nos seguintes eixos temáticos: Literatura e patrimônio cultural; São Luís como cenário cultural – produtora de conhecimento; Políticas de cidadania para o livro e a leitura; Valorização da produção literária local e da cultura regional popular; Democratização do acesso ao livro e valorização da leitura; Tecnologia de informação, comunicação e leitura; O papel do livro digital na formação de leitores.

Para abrigar a 7ª FELIS serão instalados diversos espaços, oferecendo conforto, condições técnicas de segurança e capacidade de ocupação para atendimento da demanda prevista de público, além do aproveitamento dos espaços existentes na área do centro histórico (teatros, cinema, auditórios, praças etc.). O evento terá uma extensa programação de palestras, seminários, oficinas literárias, bate-papos, apresentações infantis, entre muitas outras atividades.

Criada por meio da Lei Municipal nº 4. 449 de 11 de janeiro de 2005, a Feira do Livro de São Luís é uma ferramenta de fortalecimento da vocação e produção literária do povo maranhense, para ser construída e realizada dentro do princípio da ação participativa, engajada na democratização social e cultural da cidade.